quinta-feira, 20 de março de 2014

MST comemora mais uma conquista no Sertão de Sergipe



 

A última quarta-feira (19/03) foi de grande alegria para as famílias Sem Terra do acampamento Novo Sonho, localizado no Sertão de Sergipe e Bahia, na divisa entre os municípios de Poço Redondo e Pedro Alexandre. Após mais de 10 anos de luta, as 40 famílias camponesas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comemoraram a imissão de posse da Fazenda Santa Maria. Após anos de ocupação pelas famílias Sem Terra, a fazenda, propriedade de um grande latifundiário do estado de Sergipe, foi declarada improdutiva e desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

“Graças à luta das famílias acampadas, a Fazenda Santa Maria se tornou hoje o pré-assentamento Novo Sonho. Agora, as famílias podem realizar seu sonho: morar e plantar na sua terra. É uma grande vitória para o nosso movimento”, ressaltou José Augusto dos Santos Nazaré (“Zê Augusto”), dirigente do MST em Poço Redondo.

Mais de 200 pessoas participaram da cerimônia de imissão de posse, entre famílias acampadas, militantes do MST e outros movimentos, assim com personalidades públicas. O deputado estadual João Daniel (PT) presenciou o ato e parabenizou a luta das famílias Sem Terra.

Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!

terça-feira, 11 de março de 2014

Cerca de 500 militantes marcham por direitos na capital Aracaju


Nesta terça-feira (11\03), cerca de 500 mulheres, oriundas de movimentos sociais e sindicatos, marcharam pelas ruas da capital sergipana. As militantes reivindicaram o fim das violências sofridas pelas mulheres, a implantação de creches e uma Reforma política dando mais espaço às mulheres dentro do sistema político brasileiro. A mobilização foi organizada por militantes da Casa das domésticas, do Movimento organizado dos trabalhadores urbanos (MOTU), do Levante Popular da Juventude, do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra (MST), dos sindicatos, da Marcha Mundial das Mulheres e da Consulta Popular.

O ato começou às 8 horas da manhã com uma concentração na Praça General Valadão, no centro da cidade. Militantes da causa feminista lembraram a importância das mulheres se organizarem para acabarem com as injustiças que elas vêm sofrendo historicamente. Segundo Ana Cristina, militante da Marcha Mundial das Mulheres, 2988 denuncias de violências feitas às mulheres foram registradas no estado de Sergipe em 2013.

As manifestantes seguiram depois em um grande Marcha pelas ruas do Centro da cidade, fazendo batucada, panfletando e carregando faixas. As militantes fizeram uma parada frente à Câmara de Vereadores de Aracaju, onde uma integrante da Consulta Popular leu um Manifesto elaborado coletivamente pelas mulheres. No final da mobilização, as manifestantes entraram na Assembleia Legislativa do estado de Sergipe para entregar o Manifesto aos deputados. 

De acordo com Gislene Reis, dirigente do MST em Sergipe, “esta mobilização foi preparada de forma coletiva pelos movimentos sociais e sindicais, entorno de três reivindicações principais: creches para que as mulheres possam trabalhar, o fim às escandalosas violências sofridas por elas, e uma maior participação na política.” Neste contexto, a dirigente também ressaltou a importância do Plebiscito Popular como ferramenta a serviço da participação das mulheres nas instâncias políticas. 

sábado, 8 de março de 2014

Dia Internacional de Luta das Mulheres: Ato Público em Aracaju


Jornada de Luta das Mulheres da Via Campesina 2014


Todo ano no mês de março, as mulheres camponesas realizam uma série de atividades em todo o Brasil conhecida como Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra.

Neste ano de 2014, a jornada organizada pelas mulheres da Via Campesina traz o lema Mulheres Sem Terra na luta contra o capital e pela Reforma Agrária Popular

Ao relembrar o dia 8 de março, a Jornada de Luta das Mulheres Sem Terra 2014 tem como objetivo denunciar o capital estrangeiro na agricultura (controlado pelas empresas transnacionais) e chamar a atenção da sociedade para o modelo destrutivo do agronegócio, que ameaça tanto o meio ambiente quanto a soberania alimentar do país e a vida da população brasileira, afetando de forma direta a realidade das mulheres. 

Com o lema Mulheres Sem Terra na luta contra o capital e pela Reforma Agrária Popular, as mulheres do MST abrem a jornada de lutas do ano e também buscam denunciar o retrocesso das conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras do campo, em especial a Reforma Agrária.

Como alternativa ao modelo do agronegócio, a Jornada defende a realização da Reforma Agrária Popular para desenvolver o país e eliminar a pobreza.

O modelo de agricultura que defendemos é baseado na agroecologia e na defesa da soberania alimentar, que tenha condições de gerar empregos diretos, moradia e produção de alimentos saudáveis a toda população, superando a miséria no interior do país e o inchaço dos grandes centros urbanos.

A Jornada Nacional de Luta das Mulheres também coloca como desafio a divulgação e a construção de formas de viver e produzir que contribuam para a soberania alimentar do país e a preservação da biodiversidade.

Mulheres camponesas: sem feminismo, não há socialismo!
Diante disso, temos como tarefa principal a luta pelas transformações estruturais no país. Entretanto, acreditamos que essas mudanças sociais só acontecem se impulsionadas pelas lutas da classe trabalhadora.

Dentro desse contexto que as mulheres da Via Campesina construíram um plano nacional de lutas em torno do 8 de Março, o Dia Internacional de Lutas das Mulheres.

Nesse sentido, fazemos alianças com as mulheres trabalhadoras da cidade para que juntas possamos mudar os rumos da história e construir uma sociedade com novos valores e um mundo sem violência e sem opressão.

Assumimos o compromisso de lutar incansavelmente contra toda e qualquer forma de opressão e mercantilização da vida, do corpo e dos bens naturais.

Violência contra a mulher

A violência masculina contra a mulher é fruto do modelo patriarcal de sociedade, onde as relações pessoais afetivas estão fundamentadas no princípio da propriedade, do controle e do domínio sobre a mulher.

O agronegócio, enquanto implementa a concentração de terras e riquezas em poder de alguns, expulsa milhares de famílias de suas terras, destruindo sua cultura e gerando vazios e isolamentos no interior. Nesses casos, as mulheres são as primeiras a arcarem com as consequências, não tendo onde trabalhar, sendo obrigadas a permanecerem no espaço doméstico, com seu trabalho invisibilizado e não reconhecido.  Nesse sentido, é importante destacar também a total vulnerabilidade a que estão relegadas para tratar da sua exposição constante aos agrotóxicos e venenos utilizados na agricultura química do agronegócio.

A radicalidade da luta das mulheres é do tamanho das nossas necessidades humanas





Por Setor de Gênero do MST
Da Página do MST


O Patriarcado é um pilar fundamental do Capitalismo. Na luta pela transformação da sociedade, a construção de novas relações de gênero é uma condição para forjar mudanças reais.

As mulheres são impactadas há séculos por uma dupla opressão: de gênero e de classe. Essa é uma condição objetiva que torna a luta das mulheres um potencial para lutas que alteram a correlação de forças, não se conformam com o possível e, com isso, vão fazendo história.

Quando as mulheres decidem entrar na luta, levam consigo essas determinações sociais. Não tem nada a perder e tem o mundo a conquistar. Não vacilam! Seguem, rompendo cercas, ocupando os latifúndios das empresas transnacionais. Lutam pela soberania alimentar, pela defesa das sementes e dos recursos naturais.

Sabem que o inimigo é poderoso, mas não se acovardam. Fazem o enfrentamento necessário. Marcham e seguem o seu caminhar.

Essa convicção tem levado as mulheres do MST às lutas cotidianas e à luta do 8 de março, dia internacional das mulheres. Denunciam o modelo do capital no campo, o agronegócio, o hidronegócio e o mineralnegócio. Denunciam o Estado e os governos que sustentam o capital. Lutam pela terra, pela Reforma Agrária e pela transformação social.

Nas madrugadas, com foices, tensões e facões vão enfrentando a Monsanto, a Aracruz, a Vale, a ADM, a Bunge, a Cargill, a Stora Enzo, a Cosan – Shell, a Cutrale, a Syngentae todos os símbolos da opressão.

As mulheres aprendem na luta que o pessoal é político. Exigem que a sociabilidade humana seja radicalizada na construção de novas relações de gênero. Sabem que é a participação efetiva no processo político de luta, de mobilização, de formação e de decisão que elevam o nível de consciência das mulheres.

Recolocam a luta socialista como uma necessidade humana. Não apenas como uma utopia ou como um valor místico a ser cultivado. A radicalidade da nossa luta é do tamanho das nossas necessidades humanas, mas a sociedade que queremos construir tem a dimensão ilimitada dos sonhos que ousamos alcançar.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Encontro das Mulheres do Campo e da Cidade prepara mobilização do 8 de Março


No último sábado 22 de fevereiro, mais de 80 mulheres de movimentos sociais de moradia, juventude, trabalhadoras do campo, pescadoras e sindicatos participaram do IV Encontro de Mulheres do Campo e da Cidade em Aracaju organizado pela Marcha Mundial de Mulheres do estado de Sergipe. O encontro ocorreu no auditório do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Sergipe (SINTESE).
Fizeram parte do encontro mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Consulta Popular, do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Sergipe (SINTESE), do Levante Popular da Juventude, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU), do Movimento Mulheres Camponesas (MMC), da Casa das Domésticas, da Associação da Pesca, do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR) e do DCE da UFS. Além disso, contamos com a presença da assessoria da Deputada Estadual Ana Lúcia (PT) e do Vereador Iran Barbosa (PT).

Preparação ao 8 de Março
Este espaço teve como objetivo de contribuir na formação dos diversos movimentos sociais e sindicatos que constroem a Marcha Mundial de Mulheres no estado de Sergipe, assim como preparar para as mobilizações no 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres.
O Encontro começou com uma mística de abertura e saudações às organizações presentes. Em seguida, foi realizado um debate sobre o tema Mulher na Política.
Maria Teles, Secretária de Políticas Públicas para Mulheres do Estado de Sergipe, ressaltou “a importância da luta das mulheres para garantir mais espaço na política e na criação de políticas públicas voltadas para as mulheres”. Além disso, a secretária levantou algumas ações da secretaria quanto a políticas públicas para as mulheres no enfrentamento da violência contra a mulher.

A importância do Plebiscito Popular
A militante Emanuele Suzart, da Marcha Mundial de Mulheres e da Consulta Popular, relembrou a origem da desigualdade de gênero e o processo de exclusão da mulher na esfera da política, além de cobrar do governo uma atenção maior para as pautas feministas.
Segundo Emanuele, “o processo de construção do Plebiscito Popular é uma oportunidade de reforçar as pautas das mulheres, assim como sua representação política.”
No terceiro momento foi realizada uma troca de experiência sobre os desafios propostos para as mulheres nas organizações em que fazem parte.
O encontro fomentou a necessidade de formação das mulheres, seja nos movimentos feministas, seja nos movimentos mistos. Também animou e fortaleceu as mulheres para a construção das lutas no estado de Sergipe para o ano de 2014. Com as mulheres organizadas e dispostas para a luta, damos passos importantíssimos para a construção de um Projeto Feminista e Popular!

Secretaria Operativa Estadual
Consulta Popular Sergipe

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Movimentos sociais e entidades da sociedade civil constroem Plebiscito Popular no Alto Sertão de Sergipe






O Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político foi lançado em Sergipe no dia 31 de janeiro deste ano, na capital Aracaju. A campanha a favor do plebiscito está chegando agora às cinco regiões do estado.
Nesta segunda-feira (24/02), movimentos sociais, sindicatos e entidades da sociedade civil do Alto Sertão de Sergipe se reuniram na cidade de Monte Alegre para debater a construção do Plebiscito popular na região. Participaram representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), do Sindicato dos trabalhadores rurais, do Sindicato dos Servidores Públicos, do Levante Popular da Juventude, da Comissão Pastoral da Juventude rural, das Igrejas, do Conselho Municipal da Saúde de Monte Alegre, do Centro de Formação em Agropecuária Dom José Brandão de Castro.

Sistema político excludente
“As grandes mobilizações de junho de 2013 mostraram a profunda rejeição do atual sistema político pelo povo brasileiro” afirmou Damião Rodrigues, militante do MPA. De fato, 273 dos 594 parlamentares eleitos em 2010 são empresários, e 160 deles integram a bancada ruralista, que defende os interesses do agronegócio. Ao mesmo tempo, setores maioritários dentro da sociedade estão sub-representados ou sem representação dentro do Congresso. É o caso da classe trabalhadora, das mulheres, da juventude, da população negra e indígena. “O financiamento privado – e oculto – das campanhas eleitorais reforça a exclusão da classe trabalhadora. Quem paga as campanhas dos candidatos são os bancos e as grandes empresas”, disse Damião. Por isto, segundo o militante, só o financiamento público das campanhas poderá abrir espaço á participação popular nas instituições políticas.

A discussão enfatizou a necessidade de massificar a bandeira do Plebiscito, vinculando a necessidade de fazer uma Reforma Política às necessidades da população do Alto Sertão de Sergipe. De acordo com Ildo Siqueira da Silva, militante do MST e do Levante Popular da Juventude, “os movimentos tem que explicar que a Reforma Política é a mãe das reformas estruturais indispensáveis para atender às necessidades do povo. Não dá para fazer a Reforma Agrária, a Reforma tributária, melhorar o sistema público de educação e saúde, com um Congresso dominado por latifundiários, representantes dos bancos e empresários.”

Curso de Formação
Para cumprir estes objetivos, as organizações presentes montaram um comitê. Ele terá como tarefa de coordenar a campanha na região. O próximo passo será a organização, dias 11 e 12 de Abril, de um Curso de Formação que juntará 80 militantes sociais do Alto Sertão sergipano. “Depois, será a hora do trabalho de campo, do debate com a população”, afirmou Damião. O trabalho de base durará até setembro, que será o mês da organização do Plebiscito popular em todo o país.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"É o povo organizado que vai fazer a Reforma Agrária"

  
Entrevista com Gilmar Mauro, da direção nacional do MST 

14 de fevereiro de 2014, Brasília

Quais são os grandes desafios colocados ao MST a partir deste VI. Congresso?


Gilmar Mauro - O nosso grande desafio  no próximo período é, primeiro, fortalecer a nossa organização. Nosso pé tem que estar calcado na Reforma Agrária, na luta pela terra. A partir deste pé na luta pela terra, temos que estabelecer relações com outros setores da classe trabalhadora. Três questões são fundamentais para este debate com a classe trabalhadora. Primeiro: que uso a gente quer dar ao solo, à água, aos recursos naturais em geral. Se for este uso que o capital está dando, não precisa mais de Reforma Agrária. Mas se nós quisermos outro uso, então vamos ter que fazer a Reforma Agrária. Dois: que tipo de alimentos vamos querer comer? Se for a comida produzida pelo agronegócio, também não precisamos de Reforma Agrária. Mas esta produção está  envenenando o povo com agrotóxicos, envenenando o solo, a água e os recursos naturais. Terceiro: que tipo de paradigma tecnológico e de produção queremos? Nós queremos uma tecnologia que seja a serviço da diminuição do ritmo de trabalho, que ajude a aumentar a renda dos camponeses, mas também que seja utilizada para produzir alimentos saudáveis, que não impactem o meio ambiente. Então, se queremos outro uso da terra, dos recursos naturais, outro tipo de comida e outro uso da tecnologia, a Reforma Agrária é a coisa mais moderna a ser feita. E, por isto, vamos ter que lutar com toda a sociedade, e não o MST só.

Como fortalecer o MST enquanto organização?

Temos que horizontalizar o MST, estimular a participação das mulheres, combater qualquer tipo de discriminação e violência contra as companheiras, contra as crianças: não podemos admitir este tipo de violência no nosso meio. Temos também que estimular a participação da juventude, a participação da terceira idade, que hoje tem mais condições de participar, a nos ajudar na frente de massa, na produção, no setor de saúde, na educação, etc. O MST é um movimento popular, portanto tem espaço para todo mundo. Nenhum dirigente pode impedir que o povo participe. Ao contrário: tem que estimular a participação. Quanto mais militantes participando, mais trabalho realizado. Isto, inclusive, poderá diminuir o trabalho para o dirigente. Porque é a classe que é o sujeito, que vai fazer a luta, que vai fazer a Reforma Agrária. Nós não vamos fazer a Reforma Agrária pelo povo. É o povo organizado que vai fazer a Reforma Agrária. Isto é o grande desafio. Vamos horizontalizar,  criar espaços de formação para a nossa militância, inovar permanentemente. Principalmente, vamos fazer muita luta. Porque é na luta que o trabalhador e a trabalhadora se transformam no protagonista da sua história. É na luta que a gente se forma, é na luta que a gente conquista aquilo que nós precisamos, para o nosso povo e a classe trabalhadora.