terça-feira, 31 de janeiro de 2017

CARTA DE FORTALEZA

Inspirados pelas lutas camponesas cearenses, nós, coordenadoras e coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra nos reunimos em Fortaleza reivindicando a memória e o exemplo de Fidel Castro, do centenário da Revolução Russa e do cinquentenário do martírio de Che Guevara, para estudar a conjuntura política e agrária de nosso país e projetar os desafios e tarefas para o próximo período.
Foto: Luiz Fernando/ Setor de Comunicação do MST



Há uma crise estrutural do capitalismo, acentuada desde 2008, expressa nas crises econômica, política, social e ambiental, representada pelas propostas autoritárias e fascistas, que ameaçam os direitos humanos, trabalhistas e os bens da natureza em todo mundo. Neste contexto, para que o Capital continue se apropriando dos recursos econômicos da sociedade, é necessária a eliminação dos direitos históricos da classe trabalhadora para que estes recursos estejam disponíveis unicamente para o mercado financeiro. O golpe e os atos institucionais do governo ilegítimo no Brasil, como a reforma da previdência, trabalhista, a PEC55 e a entrega do Pré-Sal são exemplares deste movimento. Diante deste cenário:



1.    Reafirmamos a necessidade de reformas estruturais e de uma Reforma Agrária Popular, que garanta a soberania alimentar, a soberania nacional contra a venda das terras para o capital estrangeiro e a defesa dos bens da natureza (a água, em especial o aquífero Guarani, a terra, os minérios, o petróleo e a biodiversidade). Somos contrários e combateremos a Medida Provisória 759 do retrocesso da Reforma Agrária, que privatiza as terras destinadas à reforma agrária, transformando-as em mercadoria, legaliza os grileiros de terras públicas e exclui os as trabalhadoras e trabalhadores acampados do processo de assentamentos.



2.    Lutaremos contra a privatização das terras, disfarçada de titulação, e que pretende livrar-se dos assentados como mecanismo de exclusão das políticas de reforma agrária. Exigimos o registro dos lotes e dos assentamentos na forma de Concessão de Direito Real de Uso da Terra (CDRU) e o impedimento da venda de terras dos assentamentos.



3.    Nos comprometemos a lutar com o conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras contra a reforma da previdência, a reforma trabalhista e outras medidas que retirem os direitos historicamente conquistados. Nos comprometemos com a construção da Frente Brasil Popular e de seu enraizamento nos municípios.



4.    Somos solidários e solidárias a todas as formas de lutas e resistência contra o Golpe e apoiaremos todos os setores de nosso povo que tem se mobilizado em luta, desde os povos indígenas e quilombolas aos estudantes em escolas ocupadas, na defesa da educação pública. Assim, nos somaremos à jornada de lutas de 8 a 15 de março convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE).



5.    Denunciamos a criminalização da luta social, com a utilização de entulhos jurídicos que perseguem e condenam a luta social, sem provas e a serviço dos interesses do capital, fruto da soberba, arrogância e autoritarismo de um Poder Judiciário carregado de privilégios, mas sem nenhum compromisso social. Exigimos a liberdade de todos os trabalhadores presos e perseguidos.



6.    Convocamos todas as mulheres, do campo e urbanas, para uma grande jornada de lutas no 8 de Março. As trabalhadoras são as mais atingidas pela reforma da previdência, aprofundando as desigualdades de gênero numa sociedade machista e patriarcal.



7.    Combateremos a venda de terras para o capital estrangeiro, o retrocesso da reforma agrária e o modelo do agronegócio através de uma jornada de lutas e ocupações no mês de abril. Propomos ainda a realização de uma grande Marcha Nacional à Brasília, no segundo semestre, para denunciar as medidas do governo golpista.



8.    Defendemos a convocação de eleições gerais para o Congresso e para a Presidência da República, para que seja devolvido ao povo o direito de escolher seus representantes.



9.    Nos somaremos a Frente Brasil Popular e outras organizações de trabalhadores e trabalhadoras para construir um Programa Emergencial que combata o desemprego, a desigualdade de renda e a perda de direitos. Convocamos os trabalhadores e trabalhadoras para que no próximo período possamos construir grandes mobilizações da classe em torno do direito a Terra, a Moradia e ao Trabalho.



10.    Afirmamos nosso compromisso de solidariedade com a luta de todos os povos do mundo, frente à ofensiva do capital, o autoritarismo dos governos, a prepotência do império estadunidense, as guerras insanas, na defesa dos direitos de todos os povos por justiça e igualdade.



Nos comprometemos como militantes, homens, mulheres e jovens a assumir essas tarefas em defesa do povo brasileiro.



Fortaleza, 27 de Janeiro de 2017.



MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA



Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Trabalhadores Sem Terra debatem Produção e Organicidade

Por Luiz Fernando


Entre os dias 7 e 10 de janeiro cerca de sessenta trabalhadoras e trabalhadores Sem Terra de Sergipe se reúne, em Estância, durante o Encontro de Produção, Meio Ambiente e Cooperação Agrícola.

A partir das linhas políticas do Congresso Nacional e da Coordenação Nacional com enfoque a organicidade e formação, o Setor de Produção, Cooperação e Meio Ambiente planeja para o ano de 2016, ações que enfoque os eixos temáticos e ações transversais para a condução da reforma agrária popular.  

Agroecossistemas, sistemas de produção na agricultura, produção de sementes e alimentos saudáveis e os desafios nos assentamentos do Estado também são temas temas que orientam as reflexões durante o encontro.

Analisando o cenário político atual apontando os principais desafios colocados à classe trabalhadora na luta por direitos, o encontro tem por finalidade unificar, socializar e aprovar o planejamento com perspectiva de envolvimento da base social das famílias assentadas e acampadas, mantendo a unidade nas ações para fortalecimento da organicidade interna do MST. 

Participam do encontro dirigentes, técnicos e famílias  acampadas e assentadas de todo o estado do Sergipe, com perspectiva de contribuir nos debates e na elaboração de um planejamento para os próximos períodos


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

MST Realiza seu 29º Encontro Estadual em Sergipe

Texto: Luiz Mário de Santana Santos
Fotos: Julia Marques

Acontece de 17 a 20 (Dezembro), no Centro de Formação Canudos localizado no Assentamento Moacir Wanderley, Região Metropolitana de Sergipe o seu 29º encontro estadual, que esse ano traz como um dos pontos centrais de discussão a questão do processo de massificação do MST.
Na abertura do encontro uma mística simbolizando o desastre da barragem que ocorreu no Município de Mariana em Minas Gerais foi apresentada, representantes de diversas organizações sociais do campo e da cidade se fizeram presentes para saudar e fortalecer a unidade da luta, onde na ocasião foi destacado a importância de construirmos todos os dias um diálogo junto a sociedade para possamos avançar no caminho mais justo e igualitário para todos (as).
Participam do encontro famílias Acampadas e Assentadas de todo o estado, que vieram na expectativa de ajudar nas discussões e na elaboração de um planejamento para os próximos períodos. Além disso foi montado um espaço cultural onde todos presentes do encontro estão tendo a oportunidade de apreciar e comprar artesanatos produzidos nos assentamentos, como também uma exposição de fotos foi montada, caracterizando várias formas e elementos da cultura Sergipana.
De acordo com José Ivaldo Assentado e Educando do curso de Direito da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) da turma Eugenio Lyra (Pronera), existe um grande avanço no conjunto da organização nesses últimos 30 anos que tem sido fruto de um trabalho de formação político, no sentido de combater as contradições existentes como forma de superar as necessidades da classe trabalhadora do campo e da cidade, como protagonista de sua própria história.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Em Sergipe Assentados promovem 2º torneio Estadual de futebol Feminino e Masculino.

Texto: Luiz Mário de Santana Santos
Fotos: Julia Marques

Acontece entre os dias 11 e 12 (Dez.) no Assentamento Moacir Wanderley Região Metropolitana de Sergipe o 2º torneio de futebol feminino e masculino da Reforma Agrária. O evento é realizado pelo MST e o Centro Comunitário de formação em agropecuária Dom Jose Brandão de Castro(CFAC), um dos objetivos é aproximar assentados de todas as regiões do estado, com base em uma atividade física e saudável proporcionando momentos de lazer e confraternização.
Esse ano participarão equipes 16 divididas entre homens e mulheres 8 em cada gênero, sendo que as masculinas já vieram de torneios regionais onde os campeões agora estarão disputando o estadual, uma grande estrutura foi montada para receber a todos(as) que vierem prestigiar o evento, a exemplo da tenda de saúde e alimentos que estarão durante os dois dias.
Como já é de costume haverá premiações para os três primeiro lugares, para o encerramento do torneio, está sendo organizado uma cultural que contará com apresentações de grupos musicais da região para festejarmos esse momento com todos do Assentamento que recebeu esse torneio.






quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

2º ENCONTRO SERGIPANO DE AGROECOLOGIA


Entre os dias 01 a 03 de dezembro acontece o 2º Encontro Sergipano de Agroecologia, na Escola Agrícola Governador Valadares, localizada no município de Estância, região sul de Sergipe.

O principal objetivo do evento é promover a troca de saberes e experiências entre agricultores familiares. Além de, realizar debates sobre modelo de produção agrícola do agronegócio e quais ações os povos do campo podem articular no processo de enfrentamento deste.
Nesse sentido, o primeiro dia do encontro trouxe um debate da conjuntura política e agrária no cenário estadual e em âmbito nacional. O espaço também será de estudos com variados grupos de trabalho que abordam temas acerca da agroecologia e fomente espaços de reflexão, articulação e sistematização de práticas agroecológicas.
De acordo com a coordenação do evento, além de promover o intercâmbio de saberes entre os agricultores familiares, técnicos de ATES e entidades que compõe a Rede Sergipana de Agroecologia (RESEA), o encontro deve impulsionar o processo de integração e fortalecimento da Articulação Nacional de Agroecologia ( ANA).
Participam do encontro diversas entidades e organizações como o MST, MPA, MCP, ASA, Universidade Federal de Sergipe (UFS), EMBRAPA, FETASE, entre outras. Junto ao encontro, ainda é possível prestigiar a feira de saberes e sabores sergipanos e troca de sementes crioulas está ocorrendo no mesmo espaço.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mulheres Sem Terra realizam Encontro em Sergipe

 Com o lema “Mulheres Conscientes na Luta Permanente”, está ocorrendo entre os dias 17 a 19 do decorrente mês no Centro de Formação Canudos, localizado no Assentamento Moacir Wanderley, na Região Metropolitana de Sergipe, o encontro estadual das mulheres Sem Terra, a mística de abertura trouxe como apresentação a vida e obra da artista feminista Frida Kahlo.

Essa atividade faz parte do calendário de luta do MST no estado, temas como analise de conjuntura, prevenção e saúde, participação da mulher na luta entre outros serão debatidos durante esses dias, além da oficina de horta vertical que traz um bom exemplo de como produzir de maneira agroecológica e diversificada para o auto consumo.
Um dos objetivos do encontro é ajudar na compreensão e desenvolvimento do trabalho de base e organização dos coletivos de mulheres dentro das áreas de Acampamentos e Assentamentos. De acordo com Marizete uma das participantes esse é um momento muito importante para todas nós e para o movimento, temos a tarefa de quando chegarmos em nossas bases buscar organizar frequentemente aquelas companheiras que não poderão estar aqui.     




terça-feira, 10 de novembro de 2015

Juventude Sem Terra realiza Encontro em Sergipe

*Por: Bruna Daniely

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
“O importante é você crer 
na juventude que existe dentro de você”
(Zé Geraldo)


Juventude Sem Terra realizou entre os dias 07 e 08 de novembro, encontro no assentamento Cuiabá, município de Canindé, sertão de Sergipe.
De acordo com Joana Vieira, da direção estadual setor de juventude, o encontro tem como principal objetivo “reafirmar o compromisso com o movimento Sem Terra e incentivar os jovens à assumirem sua identidade sem terra, bem como reconhecer a história de luta de seus pais para a transformação social”.
Além de abordar temas como cultura, educação, arte e identidade, também foram realizadas oficinas de plantação de mudas, artesanato, teatro e grafite. Dalvan Dext, 24 anos, membro da associação sergipana de Hip Hop Aliados pelo verso-ALPV, facilitou a oficina de grafite, para ele o encontro representa “uma oportunidade para trocar experiência e uma forma de apresentar modos diferentes de comunicação visual nos acampamentos e assentamentos, também mostra a força do grafite e de sua origem que é o protesto”.
Para os jovens presentes o encontro tem um significado muito grande, Ângela de Jesus, 15 anos, filha de assentados, destaca que “esses espaços, nos mostram como a luta é importante para modificarmos nossas vidas e trajetórias”. Já Lázaro Santos, 14 anos, ressalta “o encontro foi ótimo, conhecemos novas pessoas e novas formas de olhar o mundo, a partir de hoje reconheço a história de luta de meus pais, para ter uma vida melhor”.
Outros encontros no estado serão realizados até o fim do ano, eles tem como propósito discutir e organizar as pautas da juventude para o Encontro Estadual do MST que acontecerá em dezembro.

Famílias comemoram emissão de posse em Sergipe


Foram 9 anos de espera até que chegasse esse momento tão sonhado pelas famílias do Acampamento Sambaiba, localizado no Município de Pirambu Região Norte de Sergipe, aconteceu na tarde dessa Segunda feira a entrega oficial da antiga fazenda São Miguel, hoje a área recebe o nome de Assentamento Padre Geraldo que foi uma das pessoas que sempre acreditou na luta e organização da classe trabalhadora junto ao Movimento Sem Terra e que faleceu no ano de 2013 deixando um verdadeiro exemplo de esperança, dignidade, coragem e solidariedade para todos(as) que o conhecia.Estiveram na solenidade de posse, o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária(INCRA)/SE André Bomfim, o Assessor Carlos Fontenelle representando o  Deputado Federal João Daniel(PT), membros da Direção nacional e estadual do MST e varias outras autoridades do Município.

Uma grande festa foi preparada para comemorar esse momento. Com  muita música ao som do trio pé de serra chocalho de bode, grupo do próprio Assentamento  e apresentação do grupo de Teatral Canudos em movimento que apresentaram a peça Auto dos descaminhos de Ivan Santana.Desde que a área foi ocupada em 2006, as famílias vem produzindo dentro da proposta agroecológica varias culturas como macaxeira, batata, milho, feijão, banana, mamão, laranja, hortaliças e animais de pequeno porte.


De acordo com Moçinha, uma das assentadas, “ essa conquista representa vida nova e muitos anos de luta sempre acreditando que um dia iriamos alcançar esse objetivo”, outra questão é que As famílias esperam a partir de agora aumentarem sua produção no Assentamento.