terça-feira, 15 de julho de 2014

Quarta Escola estadual de formação reforça preparação política dos militantes do MST em Sergipe


Texto escrito pelos educandos da turma "Pernambuco II"

Durante a primeira quinzena de Julho, o Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra (MST) promoveu a quarta Escola estadual de formação política no Centro de Formação Canudos, situado no assentamento Moacir Wanderley, região metropolitana do estado de Sergipe. 

O objetivo da escola era formar novos militantes para desenvolver a organicidade dos acampamentos e assentamentos no estado e reforçar a preparação dos militantes para a luta contra o poder da burguesia e dos latifundiários. A turma, que contou com 60 militantes, escolheu o nome "Pernambuco II", em homenagem a um grande militante e formador do MST em Sergipe.

O evento contou com a coposição e participação de outros movimentos sociais, como Levante Popular da Juventude, ALPV e Movimento dos trabalhadores urbanos (MOTU), que contribuíram trazendo suas experiências e bandeiras de luta.

Segundo Seu Juca, um dos educandos, "a escola é muito importante para formar e unir os camponeses na luta pela Reforma Agrária."

O cronograma da escola Pernambuco II promoveu a participação dos educandos ao ato nacional a favor de um Plebiscito Popular por uma Assembleia Constituinte pela Reforma Política, que ocorreu no dia 7 de Julho no centro da capital Aracaju. Vários movimentos e sindicatos se uniram para denunciar o financiamento privado de campanha, visto com um dos principais fatores aprofundando as desigualdades sociais no País.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Nota de apoio à ocupação da rádio Xodó no município de Nossa Senhora da Glória


Nós, do Levante popular da juventude, expressamos nosso apoio à ocupação da radio Xodó FM (Nossa Senhora da Glória/SE), realizada hoje (25/06/2014), pelo MST e movimentos parceiros.

A ocupação foi motivada pelos ataques cotidianos que o radialista Anselmo Tavares faz contra o MST e seus integrantes. Essa rádio tem servido para diariamente criminalizar o MST, seus membros e todos os lutadores do povo. Afinal, o radialista chama de “corja” o povo organizado em luta por justiça social.

Entendemos que a comunicação social deve estar a serviço do povo e que a liberdade de imprensa não pode acolher a criminalização do MST ou de qualquer outro movimento social. A ocupação serve para destacar o caráter público que deve ser garantido às concessões de rádio e o prejuízo que nos causa a concentração da propriedade dos meios de comunicação.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O MST e o latifúndio da mídia em Sergipe


Por Paulo Victor Melo, Jornalista, publicado (30 de junho de 2014) no portal Infonet: www.infonet.com.br
Em meio às atenções da população voltadas quase que exclusivamente para a Copa do Mundo e para os últimos momentos de definições das alianças político-eleitorais, uma ação realizada no município de Nossa Senhora da Glória, na última semana, ganhou repercussão na imprensa sergipana e, em alguma medida, em nível nacional. Me refiro à ocupação dos microfones da rádio Xodó FM por integrantes do MST, na quarta-feira passada (25).
Durante trinta minutos, camponeses e camponesas tiveram a oportunidade de rebater as acusações e ofensas feitas diariamente pelo radialista Anselmo Tavares. “Corja”, “bandidos”, “ladrões”, “marginais”, “quadrilha” são alguns dos adjetivos que o apresentador do programa Jornal da Xodó utiliza para, de forma leviana e irresponsável, se referir ao MST.
Como era de se esperar, da mesma forma que acontece quando o MST ocupa terras improdutivas, o ato na Xodó FM provocou uma série de reações contrárias. Dessa vez, porém, até mesmo setores progressistas da sociedade se manifestaram repudiando a ação do movimento. Todos afirmando que a atitude do MST representou uma ameaça à liberdade de expressão. Aqui, cabem alguns questionamentos: será mesmo liberdade de expressão utilizar uma concessão pública para difamar uma organização coletiva? Será mesmo liberdade de expressão usar uma concessão pública para promover discurso de ódio? Existe mesmo liberdade de expressão quando a propriedade dos meios de comunicação está concentrada em alguns grupos políticos e econômicos? A liberdade de expressão deve ser garantida apenas aos que têm uma concessão de rádio ou televisão e aos que apresentam programas nessas emissoras? E o direito do MST em negar todas as acusações de que é vítima diariamente?
São perguntas que não fazem parte da agenda pública de debates em Sergipe (justamente pela realidade de controle dos meios de informação), mas que colocam em xeque um suposto conceito de liberdade de expressão tão reivindicado pelos concessionários de rádio e televisão em momentos como esse e demonstram que, seja em nível estadual ou nacional, o que há é uma privatização do espaço público que é o rádio e a televisão. Logo, uma privatização do direito à liberdade de expressão.
Por isso, mais do que uma espécie de direito de resposta, a ação do MST ajudou a quebrar o silêncio sobre os meios de comunicação que paira em Sergipe. Ao ocupar os microfones da Xodó FM, o MST não apenas se defendeu das acusações que sofre diariamente, mas, acima de tudo, escancarou o latifúndio da mídia que existe em Sergipe. Latifúndio este que tem como proprietários e patrocinadores velhas e nem tão velhas assim oligarquias (ou famílias, se preferir) conhecidas na política estadual. Os mais antigos foram “beneficiados” na farra da distribuição de concessões em troca de apoios político-eleitorais, que teve o seu auge no final dos anos 1980, quando o Ministro das Comunicações era ninguém menos que o baiano Antônio Carlos Magalhães, um dos maiores controladores de rádio e TV da história do país. Outros, a partir do poder econômico do qual desfrutam, perceberam na comunicação um instrumento estratégico de conquista de poder político e, por isso, saíram criando ou comprando emissoras de rádio em todos os cantos do estado.
Importante frisar que essa relação das oligarquias políticas com a propriedade de rádio e televisão não é exclusividade de Sergipe, mas uma realidade nacional. Um estudo realizado pelo projeto Donos da Mídia identificou que mais de 270 políticos são sócios ou diretores de veículos de comunicação em todo o país. Uma afronta tanto ao Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, quanto à Constituição Federal de 1988, que proíbem que políticos desempenhem a função de diretor ou gerente em empresas de rádio e TV, ou ainda que mantenham contratos, exerçam cargos ou emprego remunerado nestas empresas.
E assim como os latifúndios agrários, o latifúndio da mídia é rodeado de cercas que, ao longo da história, impediram o acesso do povo brasileiro em sua diversidade. Cercas como a ausência de debate público sobre o tema, como a priorização da exploração privada dos meios de comunicação em detrimento do bem público, como a concepção da comunicação como mercadoria e não como direito.
Cercas essas que, em favor da democracia, da diversidade e do pluralismo da nossa sociedade, precisam ser quebradas, inclusive com ações como a que o MST promoveu na Xodó FM.

Famílias do MST ocupam fazenda no município de Cumbe





25 famílias do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra (MST) ocuparam, dia 14 de junho, a fazenda Araça no município de Cumbe, a uns 60 quilômetros da capital Aracaju.

As famílias do acampamento Euclides da Cunha estão reivindicando a terra há mais de um ano. Segundo Francisco dos Santos Nazaré, coordenador da frente de massa em Nossa Senhora da Glória, “a fazenda é improdutiva. Ela não cumpre a função social.” No local, o cenário é de abandono, o mato tomando conta das terras deixadas improdutivas. Os acampados montaram os barracos do lado da sede da fazenda, um prédio em ruínas, sem portas.

Rogério, trabalhador rural de 20 anos, resolveu acampar para melhorar as perspectivas de vida: “Trabalho nas fazendas dos outros. Agora, quero ganhar um pedaço de terra para produzir, melhorar as condições de vida da minha família.” Ansiosos de cultivar a terra,  Rogério e os colegas acampados já roçaram uma pequena faixa de terra na beira dos barracos, onde plantaram cenoura, couve, cebola e alface.

“Aqui tem muita terra para trabalhar, e estamos confiantes que vamos conquista-la”, diz Daiane, lavradora rural e mãe de família. “Mas temos necessidades importantes: não tem luz, nem água no acampamento. Tem várias crianças aqui, e necessitamos de posto de saúde e escola. Vamos seguir na luta.”

quarta-feira, 25 de junho de 2014

500 militantes do MST ocupam rádio Xodó FM em Glória

Nesta quarta-feira (25/06), cerca de 500 militantes do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra (MST) ocuparam a emissora de rádio Xodó FM na cidade de Nossa Senhora da Glória (Alto Sertão de Sergipe).

Os trabalhadores rurais denunciaram a forma difamatória e insultante com a qual Anselmo Tavares, locutor do Jornal da Xodó, trata as ações dos movimentos sociais na região, cobrando o direito à resposta.

Segundo Gileno Damascena, da direção estadual do MST, o Jornal da Xodó vem tratando há tempo as questões das lutas pela terra e pela moradia de forma incorreta e preconceituosa, chegando a chamar de “corjas” os trabalhadores rurais do MST. “Hoje, exercemos o nosso direito de dialogar com a sociedade”, disse Gileno. “A emissora de rádio beneficia de uma concessão pública. Ela deve ser aberta a toda a sociedade. Mas quando difama a ação dos movimentos sociais, a rádio Xodó descumpre sua função social. E isto que estamos denunciando”, explicou o dirigente. Para José Borges Sobrinho, dirigente do MST em Glória, a discriminação sistemática dos movimentos sociais pelo Jornal da Xodó é mais uma consequência da concentração dos meios de comunicação nas mãos de pouquíssimas e riquíssimas famílias e grupos políticos. “Este ato reforça a necessidade de lutar pela democratização dos meios de comunicação no Brasil”, ressaltou.


A mobilização começou entorno de meio-dia, quando cerca de 500 militantes do MST se agruparam frente à sede da rádio Xodó FM. O MST reivindicava o direito de expor sua opinião ao vivo no Jornal da Xodó, apresentado pelo Anselmo Tavares. Diante da recusa do locutor, os manifestantes resolveram entrar e ocupar a rádio. Após uma negociação dentro do estúdio, em presença da Polícia Militar do estado de Sergipe, os integrantes do MST conquistaram o direito à palavra ao vivo durante trinta minutos. Vários militantes destacaram o papel positivo da ação do MST na região do Alto Sertão sergipano, tendo conseguido, em 30 anos de luta, dividir a terra outrora monopolizada por grandes latifundiários, gerando uma fonte de renda por milhares de famílias camponesas e desenvolvendo a economia da região.

Enquanto os líderes falavam ao vivo no programa Jornal da Xodó, fora do estúdio os manifestantes celebravam a cultura nordestina com forró pé de serra e canções populares. Frases denunciando Anselmo Tavares como “pistoleiro da comunicação” e reivindicando a “democratização da mídia” foram pinchadas nas paredes da rádio. Após o final do programa, os manifestantes se retiraram.

O ato contou com a presença do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Urbanos (MOTU), Levante Popular da Juventude, Movimento Hip-Hop.



MST ocupa Rádio Xodó FM de Glória

Por volta do meio dia desta quarta-feira (25/06),  o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Alto Sertão Sergipano,  ocupou os estúdios da Radio Xodó em  Nossa Senhora da Glória. A ação foi motivada  pelos ataques constantes, do apresentador Anselmo Tavares no Jornal da Xodó 2ª Edição, aos representantes do movimento na região.

Um dos militantes que utilizou o direito de resposta concedido pela emissora, o Sr. José de Monte Alegre afirmou "estamos utilizando este espaço dessa rádio que é uma concessão publica... a gente veio hoje ocupar esse espaço em forma de repúdio porque este programa nesse horário vem tratando a classe trabalhadora homens e mulheres que construíram  sua história de luta nos acampamentos e assentamentos, não aceitamos mais a forma com que esse programa, nesse horário vem tratando os trabalhadores, então hoje homens e mulheres se organizaram e vieram aos estúdios dessa rádio e recebemos o apoio de várias outras organizações que lutam por moradia, que lutam por dignidade e que lutam por terra em forma de repúdio a esse programa... nós não somos ladrões, nós não fazemos negociatas" afirmou o militante. O direito de resposta foi acordado de forma pacífica entre a direção do MST e a direção da Rádio Xodó FM.

O militante Camilo Feitosa questionou no ar: Anselmo Tavares porque você não questiona  o litro de leite é comprado a R$ 0,85 centavos do produtor e é vendido no mercado a quase R$ 3 reais ?isso é uma injustiça mais isso não é falado....nós ocupamos esse espaço aqui sem quebrar nada, porque nós sabemos o que queremos, ao final o militante fez mais um questionamento: "de onde é que vem essa rádio, quem é que financia essa rádio? Porque o Senador Amorim tem tanto espaço pra falar?

O Jornal da Xodó 2ª Edição ancorado pelo radialista Anselmo Tavares vem tecendo críticas a organização e a lideranças políticas ligadas ao movimento no estado, as acusações são consideradas infundadas pela direção do MST.

A polícia Militar foi acionada juntamente com o apoio de homens da Força Nacional de Segurança (que auxiliam na segurança do presidio local) que negociou a saída pacifica dos militantes do prédio da emissora.

Democratização dos Meios de Comunicação JÁ! 

Ouça a gravação: https://soundcloud.com/luiz-fernando-592/ocupacao-da-radio-xodo

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Cerca de 1200 famílias do MST ocupam duas fazendas no sudeste paraense

Por Márcio Zonta

Da Página do MST
Fotos: Nieves Rodrigues

Cerca de 1200 famílias organizadas pelo MST no Pará ocuparam a fazenda Santa Tereza, do empresario Rafael Saldanha, e a Fazenda Cosipar, na tarde deste domingo (8), em Marabá.


O Movimento alega que ambas as áreas são terras públicas e improdutivas, além de incidirem de maneira proibida contra os castanhais da região.

Na fazenda Cosipar existe apenas plantação de eucalipto. Já a fazenda da família Saldanha, criação de gado.

No momento as famílias organizam os tradicionais barracos. Nesta segunda-feira (9), uma comissão de negociação do acampamento irá até o Incra de Marabá para pressionar o órgão para elaborar um laudo sobre as áreas.


"A lei é clara: terra improdutiva, grilada, com crime ambiental, tem que ser destinada para Reforma Agrária, por isso os trabalhadores ocuparam essas terras", resumiu Tito Moura, da coordenação nacional do MST.


O acampamento foi batizado com o nome do ex-presidente da Venezuela, Hugo Chavez.